
Sempre gostei de material de papelaria. Mais especificamente, tudo que envolvia papel. O cheiro, as cores, formatos e texturas. Sem falar na promessa de possibilidades infinitas inspirada pelas folhas em branco.
Tenho alguns cadernos mais caprichados, artesanais, e alguns deles sequer foram usados. Existe algo de cerimonioso, talvez cronológico, na estreia de páginas novas. Pelo menos, para mim.
Toda vez que encontrava para vender um caderno que me chamava a atenção, me esforçava para conseguir adquiri-lo. Infelizmente, foram poucas as ocasiões em que consegui levar algum para casa. Se considerarmos a proporção da quantidade dos que eu queria levar e de quantos levei de fato.
Foi aí que, sem querer, esbarrei neste site:
corrupiola.comMinha primeira reação foi querer adquirir todos os produtos deles, inclusive os cachecóis. Mas o entrave financeiro me impediu, uma vez mais, e fiquei só olhando. E olhando, e olhando. Comecei a analisar a maneira como tudo parecia ser feito, e depois de pesquisar um pouco mais na internet, e de receber ajuda inclusive do pessoal desse site, resolvi experimentar fazer meu próprio caderno em brochura. Talvez até disponibilizá-los para venda, dar de presente para pessoas queridas...quem sabe?
Os resultados iniciais foram interessantes, apesar de não muito satisfatórios. Vou fazer uma pequena descrição do processo, sem muitos detalhes, e futuramente pormenorizo tudo.

Primeiro eu precisava escolher o papel. Queria muito poder usar algo de bastante qualidade, com uma gramatura diferenciada, mas acabei ficando com o papel sulfite mesmo, de 75g, para o miolo. Estou só experimentando, lembram?
As capas são folhas de papel decorado, de 180g, compradas em lojas de material para scrapbooking. Estas folhas podem ser caríssimas, mas eu sempre procuro as que estão em promoção.
Decidi então encadernar 30 folhas, que se transformariam em 60 ao serem dobradas.
Procurei por vários equipamentos para fazer os furinhos, para só depois descobrir que eles eram feitos por ferramentas mais simples. Após analisar algumas opções, e levando em conta meu orçamento, optei por um compasso escolar. Sério. Eu dobro a capa para marcar uma linha de costura, posiciono sobre os papéis previamente guilhotinados (sim, comprei uma guilhotina econômica, depois coloco os detalhes sobre marcas aqui) e as perfuro sobre uma folha de um material que se parece com isopor, mas é liso, com um alfinete de cabeça redonda. Assim, prendo-as todas através dessa primeira perfuração. Indo até o final desta linha resultante da dobra, faço outra perfuração com alfinete, fazendo com que as folhas fiquem fixas, e as perfurações seguintes não corram o risco de ficarem tortas. Aí, decido o espaçamento dos furos no olho mesmo, e uso a ponta seca do compasso para tanto. Sem esquecer de alargar um pouco a abertura, girando-o delicadamente.
Parece fácil, mas levei um tempo até chegar a essa conclusão.

Em seguida, escolhi uma linha não muito grossa, mas que fosse resistente, e costurei tudo com tranquilidade. Ainda não sei fazer um nó muito discreto, mas estou trabalhando nestes detalhes.

Depois de costuradas, dobro as folhas ao meio, formando a brochura. O fato chato é que não importa o quão bem você tenha nivelado tudo com a guilhotina. Sempre sobre uma rebarba aqui e ali. Experimentei usar um estilete. Foi cansativo, mas o resultado foi bom. Pena que não fotografei.
Foi então que lembrei que na minha faculdade há uma gráfica profissional. Fui até lá e pedi para usarem aquela máquina que serve para refilar (ou nivelar) as folhas, e o resultado teria sido ótimo se eu estivesse lidando com papéis brutos e quantidades enormes. Meus caderninhos ficaram horríveis, com as capas marcadas e mal cortadas.

Nunca imaginei que um estiletezinho escolar fosse melhor do que lâminas profissionais. Quem mandou tentar roubar? Deveriam ser artesanais, certo?

Bom, depois de tudo cortado da melhor maneira possível, percebi que vou ter de colocar um bom peso (ou pressão) sobre os montinhos de papel. Do contrário, ficam meio abertos.

Assim que tiver mais fotos e dados, posto por aqui. Isso foi só para dar uma idéia de como estou fazendo tudo.